São Paulo,
14 de julho de 2003. Mais de
200 grupos em 62 países levarão
a cabo hoje ações contra
a incineração de resíduos,
buscando advertir os Governos que se esgotou
o tempo de validade desta controversa
tecnologia, sendo descabido o esforço
do lobby industrial que tenta agregar
"valores" aos seus perigosos
fornos como se fossem modernos equipamentos
geradores de energia ou sistemas térmicos
inovadores de tratamento.
No dia 05 e 06 de junho de 2003, o Dia
Mundial de Ação contra a
Incineração foi lembrado
pela ACPO na audiência pública
realizada na cidade de São Vicente
e também na manifestação
lembrando 10 anos de fechamento da poluidora
fábrica da Rhodia de Cubatão
que despejou indiscriminadamente cerca
de 17 mil toneladas de agentes tóxicos
conhecidos como POPs - Poluentes Orgânicos
Persistentes em vários pontos por
toda Baixada Santista/SP - Brasil. Hoje
estamos enviando o presente release aos
Meios de Comunicação, Redes
virtuais de internet, Personalidades públicas
e da política com poder de decisão,
Órgãos Públicos do
Executivo, Legislativo e Judiciário,
alertando-os sobre os perigos que representa
a tecnologia de incineração.
Também estaremos levantando o tema
para debate no evento "Áreas
Contaminadas" que se realizará
no SESC Santos, no dia 15 de julho de
2003 das 14:00 às 20:00 horas -
com patrocínio da Secretaria de
Estado da Saúde.
"Desesperados para assegurar a sobrevivência
de sua indústria decadente e em
estado agonizante, os promotores da tecnologia
de incineração estão
se esforçando para reinventar seus
equipamentos dotando-os de artifícios
técnicos (maquiagem verde) para
tentar esconder sua nocividade, entre
elas estão os incineradores como
fonte de energia limpa e renovável
ou "novas" variantes como a
pirólise ou a gaseificação,
nomes diferentes para um mesmo processo
velho e desacreditado" - diz Ann
Leonard, co-coordenador da Rede GAIA -
Aliança Global Anti-Incineração,
Entidade que consiste em uma coalizão
que reúne mais de 375 grupos em
77 países que lutam contra o desperdício
e a queima de recursos renováveis.
As
ações simultâneas
e combinadas de protestos ao redor do
mundo sustentam o 2º Dia de Ação
Global contra a Incineração
de Resíduos, buscando demonstrar
uma grande oposição pública
aos incineradores de forma massiva e global.
Impulsionado pela GAIA o dia anual de
ação anti-incineração
se propõem a ressaltar os problemas
sanitários, ambientais, econômicos
e sociais relacionados com a queima de
resíduos e outras práticas
perigosas de manejo de resíduos
e promove ao mesmo tempo alternativas
seguras sustentáveis para prevenir
a geração de resíduos
e manejar os materiais descartados pela
sociedade.
GAIA lança hoje o informe "Waste
Incineration: A Dying Technology"
("Incineração de Resíduos:
Uma Tecnologia Agonizante"), onde
explica por que a incineração
é um método insustentável
e obsoleto para destinação
dos resíduos. O informe da coalizão
GAIA conclui que a incineração
é uma tecnologia que está
morrendo. Como tecnologia de tratamento
de resíduos, não é
confiável e produz uma qualidade
de emissões secundárias
mais perigosa e tóxica que a qualidade
original que alimenta os fornos. Como
método de produção
de energia, é ineficiente e implica
em desperdício de recurso não
renovável. Como ferramenta de desenvolvimento
econômico é uma catástrofe,
pois além de expor a população
às emissões tóxicas,
drena os recursos financeiros para fora
das comunidades locais, além de
gerar poucos postos de trabalhos que são
freqüentemente perigosos.
As ações realizadas hoje
são claras manifestações
de crescimento da resistência global
contra a incineração e outras
formas sujas de disposições
de resíduos. Exceção
feita à energia nuclear, talvez
nenhuma outra tecnologia haja gerado uma
oposição tão forte
dos cidadãos e comunidades de todo
mundo. Por esta e outras razões
os governantes deveriam prestar atenção
e começar a implementar alternativas
a incineração que sejam
seguras e sustentáveis.
A oposição pública
tem eliminado muitas propostas de instalação
de incineradores e também muitos
outros que estavam em funcionamento em
todo mundo. Por exemplo: um massivo movimento
nos Estados Unidos derrotaram mais de
300 propostas de instalação
de incineradores municipais de resíduos
nos últimos 15 anos. No Japão
o país com a maior quantidade de
incineradores, a pressão pública
provocou o fechamento de mais de 500 incineradores
nos últimos anos. Vários
países estão levantando
severas restrições a tecnologia
de incineração, tendo as
Filipinas, proibido a incineração
em todas as suas formas.
As ações que serão
realizadas durante o dia de hoje coincidem
também o primeiro dia da sétima
reunião do Comitê Intergovernamental
Negociador (INC 7) da Convenção
de Estocolmo sobre POPs - Poluentes Orgânicos
Persistentes. Esta Convenção
Internacional a qual o Brasil é
um signatário em vias de ratificação
pelo Congresso Nacional aponta para eliminação
das substâncias tóxicas mais
persistentes conhecidas pela ciência
incluindo as reconhecidamente mutagênicas,
teratogênicas, interferentes hormonais
e cancerígenas Dioxinas, Furanos
e Hexaclorobenzeno (HCB).
A Convenção dos POPs identifica
os incineradores de resíduos, incluídos
os fornos de cimento que queimam resíduos
perigosos como fontes importantes de emissão
de Dioxinas, Furanos e Policloreto de
Bisfenilas (PCBs) e recomenda o uso de
técnicas alternativas para se evitar
a geração destes contaminantes
conhecidos como os mais tóxicos
criados pela ação do homem.
O Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente (PNUMA - UNEP) informa
que as incineradores são responsáveis
por 69% das emissões de Dioxinas
em todo mundo.
A ação da coalizão
GAIA deste ano supera o número
de participantes do Dia de Ação
Global Anti-Incineração
do ano passado que contou com 126 grupos
de 54 países.
NOTA:
A versão completa do informativo
da Aliança Anti-Incineração
GAIA "Waste Incineration: A Dying
Technology" pode ser consultado livremente
em http://ww.no-burn.org , onde se discute
os problemas associados com a incineração
de resíduos e alternativas viáveis
para substituir métodos obsoletos
de tratamento de resíduos domésticos
e industriais. O informe também
aborda o crescente repúdio a tecnologia
de incineração em todo mundo,
incluindo as proibições
e moratórias impostas em vários
pontos do planeta. Neil Tangri escreveu
o informativo para GAIA.
Contatos:
ACPO - Associação de Combate
aos POPs
http://www.acpo.org.br
- Jeffer Castelo Branco
Greenpeace Brasil
http://www.greenpeace.org.br
- John Butcher
Para mais informações sobre
o GDA - Dia de Ação Global
Anti-Incineração patrocinado
pela coalizão GAIA, por favor visite
o site de internet http://www.no-burn.org
|